O Líder do Podemos, senador Alvaro Dias, afirmou nesta segunda-feira (10/6), na sessão plenária, que os diálogos entre o ex-juiz e ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o Procurador da República, Deltan Dallagnol, divulgados pelo site The Intercept, não comprometem qualquer prova usada para condenar envolvidos na Lava jato. Para ele o que houve foi um ‘verdadeiro crime de invasão de privacidade’ e os invasores devem ser responsabilizados por agirem ao longo do tempo com o objetivo de enfraquecer a Lava jato: “Os invasores, certamente, agiram ao longo do tempo em busca de informações com objetivos escusos. Um diálogo criminosamente exposto não pode contaminar as robustas provas que sinalizaram a existência de uma organização criminosa que assaltou o Brasil nos últimos anos, com consequências irreparáveis. Provas que foram substanciais para o julgamento em primeira instância e em segunda instância, colocando na prisão centenas de corruptos que participaram de um esquema complexo e sofisticado de corrupção no Brasil nos últimos anos, que alcançaram a Administração Pública, de forma geral, e, em especial, a Petrobras”, disse.
Segundo Alvaro Dias, os diálogos vazados – se fidedignos - servem como atestado de boa conduta de Moro e Dallagnol, que estavam combatendo criminosos perigosos, fato que exigia a estreita interação entre o judiciário e o Ministério Público: “ Eles não estavam investigando e julgando crimes com penas leves, criminosos comuns, aqueles que assaltam na esquina ou que roubam o boteco no bairro. Moro e Delagnol estavam investigando para julgar grandes criminosos, barões da corrupção, ladrões do dinheiro público, assaltantes do brasil, que são ladrões e assassinos. E nos diálogos revelados, não há nenhum fato que os incrimine e que deponha contra a honra de dois agentes públicos da maior importância para as transformações exigidas pelo povo brasileiro, especialmente na esteira da Operação Lava Jato, que passou a ser a prioridade nº 1 da nossa gente”, destacou
O Líder do Podemos ressaltou ainda que a Constituição impõe que juízes e Ministério Público não devem se misturar, mas a Lei de Combate ao Crime Organizado estabelece estreita interação entre investigadores: “Quando se idealiza uma operação controlada, por exemplo, como não admitir o contato informal entre investigadores para se estabelecer a estratégia, para se buscar a melhor forma de alcançar os objetivos daquela investigação? Sergio Moro e Deltan Dallagnol vivem há bastante tempo na mesma cidade e obviamente não se conhecem apenas a partir da Operação Lava Jato, se conhecem há mais tempo, se comunicam há mais tempo. Nesse diálogo divulgado, não encontrei nenhum motivo para se duvidar da lisura dos procedimentos e da imparcialidade da ação desenvolvida, tanto pelo Ministério Público quanto pela Justiça. Não há razão para essa dúvida. Querem desonrar pessoas honradas. Essa é uma estratégia da marginália: desqualificar quem denuncia e quem julga para absolver criminosos. Nós não podemos admitir isso”.
Foto Thaty A. Martins
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