Para o Líder do Podemos, senador Alvaro Dias, o País continua em clima de campanha eleitoral, com muito radicalismo nas redes sociais e pouca solução prática na vida real. No pronunciamento que fez em plenário, nesta segunda-feira (20/5), Alvaro Dias disse que não dá para responsabilizar o Congresso por tudo de ruim que ocorre no País: “ Concordamos com a cobrança para que o Congresso seja mais ágil nas matérias que exigem urgência, como as reformas tributária, da previdência e o pacote anticrime. Nós temos que fazer autocrítica. O Congresso tem sido lento nos seus procedimentos, mas nós não podemos aceitar que responsabilizem o parlamento por algo que ainda não ocorreu, como a medida provisória da reforma administrativa”.
Alvaro Dias destacou que, em relação a essa MP, o governo já está cantando derrota, antes mesmo de os plenários da Câmara e do Senado votarem a medida: “ Pessoalmente, eu discordo do que se aprovou na comissão especial em relação ao Coaf, à Receita Federal e à criação de dois Ministérios. No entanto, não é matéria vencida. Não podemos aceitar que coloquem como fato consumado, e mesmo que a Câmara e o Senado votem de forma contrária ao que quer o governo, cabe ao presidente da República vetar”.
O senador defendeu ainda que o Congresso vote, com urgência, as medidas anticrime e anticorrupção e o projeto que garante uma suplementação orçamentária de R$ 248 bilhões para o governo: “O projeto deve ser votado até o final de junho para tapar os buracos abertos em razão do déficit fiscal, que se aprofundou, sobretudo, porque tivemos desvios, incompetência, enfim, irresponsabilidade administrativa ao longo dos governos. Somos favoráveis, achamos que o governo precisa dessa ajuda para encontrar caminhos e buscar solução para a desarrumação das contas que, lamentavelmente, chega a uma situação de calamidade pública. Nós somos da base aliada do povo brasileiro, e, se esse projeto é importante para a sociedade, nós temos que apoiá-lo. É o que nós estamos aqui, nesta tribuna, mais uma vez, em nome do Podemos, oferecendo o nosso apoio para que essa matéria seja aprovada em tempo, para evitar um colapso, para evitar a paralisação da máquina pública em setores essenciais”.
Segundo Alvaro Dias, se o Congresso rejeitar esse projeto, o presidente da República pode até ter razão para acusar os parlamentares, mas que, neste momento, não há motivos: “O Brasil não é um País de fracassados. Este ou aquele governo pode eventualmente fracassar. O povo brasileiro não fracassou. Não podemos responsabilizá-lo por fracassos que ocorreram neste País. Nós temos que cumprir o nosso papel no Legislativo, mas sempre lembrando que estamos sob a égide de um presidencialismo de muito poder, de muita força, que se impõe diante do Legislativo, e que a grande responsabilidade a ser assumida é sempre pelo Chefe do Poder Executivo, porque cabe a ele governar. E o nosso Brasil tem muitas belezas e potencialidades. Definitivamente, não é um Pais ingovernável”.
Foto Thati A.Martins