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O vice-presidente da Federa- com radicalismo e desrespeito”. Flávio Arns dis-
ção Nacional das APAES, José se que a cidadania da pessoa com defi ciência
Turozi, considerou equivocada deve acontecer em todas as áreas, e que as au-
a proposta do governo de redu- toridades não devem fugir da responsabilidade
zir o papel das APAES e incluir de atender bem os alunos especiais na escola
os portadores de defi ciência comum, mas destacou que é preciso garantir o
na rede regular de ensino: “O poder de escolha dos pais e da comunidade. O
Ministério da Educação deveria secretário também elogiou o esforço feito pelo
fazer uma pesquisa realista para ver quais são então governador do Paraná, Alvaro Dias, para
as pessoas com defi ciência que estão de fato garantir as políticas de inclusão.
incluídas na rede regular. Onde está a liberda-
de da família para escolher a melhor escola? A diretora de políticas educa-
Os alunos serão ainda mais excluídos dentro cionais da Federação Nacional
do ensino comum, pois sofrerão bullyng. Não de Educação e Integração dos
se pode fazer um processo de inclusão de for- Surdos (FNEIS), Patrícia Luiza
ma radical”, disse. Segundo Turozi, o governo Ferreira Rezende, defendeu
está adotando técnicas de “ditadura” ao excluir o direito das crianças surdas
a participação da sociedade civil. Ele defendeu de conviver e estudar em um
o papel das 2.130 APAES que existem no País. ambiente propício e criticou
o governo por ter promovido o fechamento de
Ana Cristina Correia e Silva, algumas escolas de surdos: “Uma pesquisa re-
vice-diretora do Centro de En- cente prova que a criança surda aprende signifi -
sino Especial 01 de Brasília, cativamente mais e melhor nas escolas bilíngues
disse, durante a audiência, que (linguagem de sinais e português). O que nós
as escolas especiais vivem sob queremos é que o Ministério da Educação pare
ameaça de extinção há 10 anos, de ignorar os reclamos da comunidade surda e
porque, segundo ela, o Ministé- que faça tudo junto conosco, não apenas deter-
rio da Educação difi culta o aces- minando o que temos que fazer, mas nos con-
so dos alunos com defi ciência. “O MEC orienta sultando. O que nós precisamos é de escolas
o atendimento complementar no turno contrário inclusivas, escolas bilíngues e classes bilíngues
ao das escolas regulares, o que difi culta o aces- dentro de escolas inclusivas”.
so dos alunos. O Estado deve oferecer condições
para que a escola regular garanta uma inclusão Macaé Maria dos Santos, secre-
de qualidade, mas a opção deve ser das famí- tária de Educação Continuada,
lias. O lugar de todas as crianças defi cientes é Alfabetização, Diversidade e
na escola, mas não necessariamente nas escolas Inclusão do Ministério da Educa-
regulares. Cada caso é um caso”, disse. A vice- ção, afi rmou que o governo vem
-diretora destacou ainda que, hoje, as escolas es- realizando esforços para regula-
peciais oferecem atendimento pedagógico, com mentar os direitos das minorias
resultados comprovados. e de pessoas com defi ciência:
“Procuramos atender diferentes posições. Estamos
O secretário de Educação do Pa- em momento importante, de olhar para os próxi-
raná, Flávio Arns, entregou aos mos dez anos da educação, e queremos mostrar
senadores um documento do que a nossa perspectiva de construção de um sis-
Conselho Nacional de Secretá- tema educacional inclusivo tem tido resultados
rios de Educação (Consed) com muito importantes e signifi cativos, ainda que te-
o posicionamento da maioria nhamos confl itos e contradições. Estamos buscan-
dos secretários estaduais a favor do o diálogo com os representantes dos estudantes
das APAES: “Precisamos garan- surdos. Temos difi culdades dos dois lados, e para
tir a inclusão no ensino regular e nas escolas es- resolver, para fecharmos um acordo, todo mundo
peciais. O MEC, nessa área, está pisando na bola tem que arredar um pouquinho”, defendeu.
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