Page 15 - Separata PNE
P. 15

O presidente da Organização                      “Para revolucionar a educação
                              dos Professores Indígenas de                     pública no País é preciso equa-
                              Roraima (Opir), Rivanildo Ca-                    cionar a fórmula velocidade,
                              dete Fidelis, falou, durante a                   qualidade e quantidade”, disse
                              audiência pública, sobre as                      o presidente do Presidente do
                              difi culdades e a falta de apoio                 Fórum Nacional dos Conselhos
                              aos profi ssionais de educação                   Estaduais de Educação (FNCE),
                              que atuam em comunidades                         Maurício Fernandes Pereira. Na
               indígenas. “Nós, na nossa realidade - a educa-  audiência, ele também apresentou dados mos-
               ção escolar indígena, tanto no Estado de Rorai-  trando que, no ranking mundial da UNESCO, o
               ma como em outros estados brasileiros –, pre-   Brasil tem maior descompasso entre riqueza e
               cisamos implementar medidas que, às vezes,      outros fatores, como educação: “Nós não pode-
               são desagradáveis para os indígenas. Isso por-  mos mais esperar. Sem uma política de Estado, a
               que nós temos uma grande diversidade cultural,   nossa nação fi ca à mercê de políticas do gover-
               com as mais diferentes etnias existentes no País;   no. A partir do PNE, nós teremos na sequência
               cada uma com suas devidas pluralidades étni-    os planos estaduais e municipais de educação e
               cas. Há diferenças na forma de educação. Essa é   poderemos gerir a educação a partir de referên-
               a nossa difi culdade: cada escola tem um ensino   cias seguras. O PNE vai garantir um reforço para
               diferenciado e bilíngüe, com as características   a democracia”.  Maurício Fernandes defendeu
               de cada povo indígena”, disse.                  ainda a autonomia dos Conselhos de Educação.

                              O presidente do Fórum das En-                    A secretária-geral da Confede-
                              tidades Estudantis do Brasil, Ri-                ração Nacional dos  Trabalha-
                              cardo Holz, destacou a neces-                    dores em Educação (CNTE),
                              sidade de o governo investir em                  Marta Vanelli, defendeu ques-
                              educação à distância como fator                  tões como fi nanciamento para
                              de inclusão social. “A internet e                o ensino público, meta de al-
                              as novas tecnologias têm e terão                 fabetização e necessidade de
                              papel fundamental na transfor-                   aprovação de planos estaduais
               mação da mentalidade da juventude. E para que   e municipais: “A educação pública precisa ter
               seja possível haver uma revolução na educação,   mais investimentos e ser mais qualifi cada. Pre-
               temos que incluir no PNE a preocupação com o    cisamos ter o investimento público para garantir
               ensino à distância”, afi rmou.                  vagas públicas e com isso ampliar a educação
                                                               no País”, disse. A dirigente educacional também
               O presidente do Fórum também demonstrou, du-
               rante a audiência, ceticismo em relação ao PNE:   defendeu a alfabetização de crianças dos seis
               “No último PNE, houve muita coisa bonita escrita   aos oito anos: “Na primeira infância, tanto a cre-
               no papel, mas quase nada foi feito e as propostas   che quanto a pré-escola são fundamentais para
               caíram no esquecimento. Hoje, 71% dos universi-  a aprendizagem da criança. Não queremos que
               tários brasileiros estão nas universidades particula-  a alfabetização aconteça na pré-escola, quando
               res. E a maioria é de estudantes de baixa renda”.  a criança começa, de forma lúdica, a dominar
                                                               vários símbolos”.

               Para a presidente da União Nacional dos Estudantes   blica, que a condição socioeco-
               (UNE), Virginia Barros, é fundamental garantir ins-  nômica é hoje o principal motivo
               trumentos de permanência do aluno nas universida-  da evasão escolar e defendeu que
               des. “Precisamos superar os retrocessos dos últimos   parte do orçamento das universi-
               anos. Não podemos desresponsabilizar o Estado bra-  dades seja destinada à assistência
               sileiro dos temas centrais da educação. Hoje 15%   estudantil.  Virgínia também de-
               dos estudantes estão nas universidades públicas, ou   fendeu o controle público sobre
               seja, só a elite. Precisamos inverter a lógica”, disse.  as universidades privadas e um
               A presidente da UNE disse ainda, na audiência pú-  maior investimento nas universidades estaduais.

                                                                                                              15
   10   11   12   13   14   15   16   17   18   19   20